Solidariedade

Uma geladeira capaz de aquecer os corações

Casal propõe iniciativa solidária para amparar pessoas em situação de vulnerabilidade

Carlos Queiroz -

Desde o início da pandemia, o aumento nos pedidos de ajuda que chegavam na porta do salão de beleza de Liane, 34, e Guilherme Zitzke, 33, levaram o casal a pensar em como poderia contribuir com a vida dessas pessoas que estão passando por inúmeras dificuldades, principalmente a fome. Foi quando, durante uma viagem a Caxias do Sul, os dois viram um eletrodoméstico que ficava na rua com itens de doação. Inspirados no exemplo, criaram a Geladeira Solidária. Em apenas um mês de funcionamento, já foram recolhidos e entregues mais de 200 quilos de alimentos.

Os proprietários do espaço onde a geladeira está instalada contam que, além de ajudar, a intenção é que quem precisar possa se sentir à vontade para pegar os mantimentos, “sem qualquer humilhação ou constrangimento”. Guilherme diz que diariamente em torno de dez pessoas vão até o local recolher os alimentos. “A gente está aqui para dividir o que tem e todos que estiverem precisando de alimento podem ser beneficiados com a Geladeira Solidária”, comenta.

Liane conta que muitas pessoas, ao pegarem os alimentos na geladeira, batem no vidro do salão para agradecer pela ajuda - uma ação que, segundo ela, não tem preço. “Eu não me sinto fazendo mais do que minha obrigação como ser humano. Acredito que com a pandemia agravou-se muito a fome, porque hoje são mais pessoas pedindo ajuda”, aponta.

Vizinhança abraçou a ideia

O casal conta que após a instalação da geladeira, vizinhos e amigos se juntaram a eles nesta corrente de solidariedade. Cada um ajuda como pode. Alguns contribuem financeiramente, outros doam alimentos não perecíveis e outros ainda colaboram deixando marmitas ou lanches.
Quem abraçou a causa foi o empresário Flávio Almeida, 53 anos. O sócio-proprietário de um estabelecimento comercial que fica ao lado do salão de beleza contribui diariamente doando pacotes de massa, feijão, entre outros alimentos não perecíveis. “É muito boa essa iniciativa de ajuda comunitária e consciente. O que chama a atenção é o respeito com que as pessoas pegam os alimentos, porque a geladeira pode estar cheia e, mesmo assim, eles não levam tudo, pois sabem que mais pessoas precisam”, diz Almeida.

Doações são bem vindas

A Geladeira Solidária é mantida por Liane, Guilherme e mais alguns vizinhos. A demanda, no entanto, acaba sendo maior do que o número de doações. Para poder seguir ajudando os que mais precisam, o casal pede que a comunidade se junte a corrente de solidariedade. Podem ser doados alimentos não perecíveis, materiais de higiene e também roupas. A entrega pode ser feita diretamente na Geladeira Solidária, que fica rua Gonçalves Chaves, 4.110, entre a avenida Dom Joaquim e a rua Barão de Azevedo Machado. Mais informações sobre como contribuir podem ser obtidas diretamente com o casal pelo telefone (53) 3225-9618

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